quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Do lado de lá

E então tudo o que eu queria parece ser uma imensidão cinza chumbo, pesando sobre as minhas costas. A alegria de fazer o que se quer se transforma no peso de ter seu futuro nas mãos. Os problemas foram amenizados e parecem ter tirado férias de fim de ano. Só mais algumas horas e esses malditos 208km serão deixados para trás. O sol nascerá diferente, com mais aroma de terra molhada do que de asfalto. Sabe, acordar com pãezinhos caseiros e café quente talvez valha mais a pena do que aparenta. E quando eu atravessar aquela ponte e ver de longe a Usina Água Vermelha toda iluminada, tudo valerá a pena. Na bagagem não levarei quase nada, apenas sementes de sonhos. Não quero os antidepressivos e todos os lenços usados de dias que não saíram como o planejado. Chega. Mudamos e percebemos que acumulamos coisas demais, desnecessárias. Quero jogar tudo fora, me jogar fora. Descartar e caminhar mais leve, em direção ao porto seguro. Embaixo das asas da mamãe nada é necessário. Tudo que me importa é estar lá. E quando atravessar a ponte, tudo terá ficado para trás, até mesmo quem eu era e tudo que fiz. A mala está pronta, quero o cheiro de terra molhada, o tédio de não ter nada pra fazer. Quero todo mundo no sítio, bebendo até vomitar, e rindo das histórias que os outros trouxeram pra contar. A arte de dormir uns nas casas dos outros só porque estava bêbado demais para ver os pais. A graça de não se preocupar com nada além de sentar na calçada, com o tereré gelado e só ver o tempo passando. De poder cumprimentar todos porque você realmente conhece todos. Acordar com os latidos que chegam a doer os ouvidos seguido dos gritos das coisas que eu não fiz. Quero vovó me mimando, papai orgulhoso, colo da mamãe. Parece idiotice mas só eu sei o quanto precisava disso. 


sábado, 24 de dezembro de 2011

Merry Coke's

Então mais uma vez a data das luzes chega cantarolando musiquinhas que sempre tiveram o mesmo ritmo. Nenhum bom velhinho a vista, muito menos descendo pela chaminé inexistente. No máximo dos máximos você tem a sorte de dar de cara com um cosplay mal feito, jogando balas baratas pelos ares. E nem adianta vir com essa de época de amor, e de nascimento de cristo porque a muitos e muitos anos que o natal não é apenas a festa cristã. Praticamente todos os países do mundo comemoram, da mesma maneira, esse dia cheio de parentes e comidas com altíssimo teor calórico. Até as lojas estão decoradas e as faixadas chegam a sorrir com todas aquelas decorações e luzes piscantes. Os vendedores mal reclamam, afinal, eles até podem trabalhar até mais tarde, mas é necessário fazer jus ao feriado. O feriado mais capitalista de todos. Sim, sou ateia e comemoro o natal como qualquer um de vocês. Não está escrito em lugar nenhum algo que me proíba de fazê-lo. E mais, quem seria capaz de deixar passar em branco a época dos chocottones? Já adicionaram o papai noel ao aniversário de Jesus, e ao invés de celeiro cheio de animais e palha a decoração sempre traz um lindo pinheiro decorado. Os presentes não tem o significado e não são trazidos por Belchior mas quando mais tiver melhor. Maria e José podem até ter passado por dificuldades antes e durante o nascimento de Jesus mas a mesa da ceia vai estar sempre linda, com aquele peru que você ficou disputando com a vizinha pra ver quem ia comprar o maior. Parcelou em 10x mas comprou presentes para todos os sobrinhos e afilhados, afinal a reunião com família não é momento para confraternizar e sim para jogar na cara um do outro que se saiu melhor no ano que está terminando. Um punhado de lendas e tradições, implantadas apenas para girar o comércio e encher a casa de tios e primos desconhecidos. É completamente nítido. A beleza do natal ficou a quatro quarteirões da minha casa, de onde começa o centro da cidade. E é lá que elas devem estar. A primeira vez que passo sozinha e sabe, pensando bem nenhum dos meus dedos vão cair. Só espero que o vinho dos vizinhos acabe antes que meu sono chegue e que, de presente, eu tenha no mínimo uma noite de tranquilidade e descanso.

Feliz Dia Internacional da Coca Cola 


Nada respeitável porém publico

Mas então o que era palhaço se torna malabarista e sua platéia interior nunca esteve tão presente. As gargalhadas são muito mais verdadeiras do que as piadas inventadas que na verdade não passam de mentiras. Mentiras que devem ter no mínimo o dobro do tamanho do motivo que as gerarão. Mentiras tão lindas quanto a contorcionista. Lindas e tão bem treinadas, tão treinadas. Porém só se é perfeito, uma vez. E tudo que foi inventado ou adicionado se torna torto, desarmoniza. E ele se quer sonharia que a surpresa do mágico seria da origem. O responsável por domar e controlar o leão não era ele, e sim o pobre pipoqueiro. Pipoqueiro que tinha no mínimo quatro anos a mais do que dissera ter. Quatro são apenas quatro, essa gigantesca quantidade, que tem o tamanho da lona, que cobre o picadeiro. Foi o pipoqueiro que ficou horas observando a tenda ser montada, mesmo que de longe, quietinho, como se realmente fizesse apenas o trabalho. Por mais que pareça concreto nada nasceu assim. Tudo foi pensado, pintado, maquiado. Os figurinos são feitos especialmente para aquele número em questão. Todos sabemos que o táxi maluco vai causar uma explosão de grande barulho a qualquer momento, porém ainda nos assustamos. Susto esse que não vai muito além da corda bamba. Equilibre-se e respire muito fundo, todos estão esperando pelo seu tombo mesmo que exista uma rede de proteção poucos metros abaixo. O malabarista entra em cena, e sem que muitos percebam ele já está no controle. Aguardando friamente o rugido do leão. Como o pipoqueiro que viu tudo criar forma, o malabarista sabe muito bem aonde o elefante irá pisar. 


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Despedida

Não é nada confortável nenhum tipo de mudança, mas há momentos em que elas se tornam extremamente necessárias. E por mais que a gente tente, patinamos como quem tem seus pés presos a uma cotidiano que já não é o suficiente. Hora de trocar as roupas, tirar a grossa casca de costume que cobriu seu corpo por inteiro. Não é fácil, mas o medo é necessário. Dói, incomoda, sai do eixo mas, existem momentos em que a sacudida da poeira é essencial. Por mais ruim que algo seja você sempre terá pelo menos um mísero detalhe bom que o faça lembrar, seja o ambiente da antiga cidade ou os colegas no antigo trabalho. Talvez sinta falta até das cotas absurdas, e dos insuportáveis tititis surgidos aleatoriamente. Dos concelhos que sempre tive que dar, e estive lá pra receber. Mas sufoca. Acumula-se tantos descontentamentos e desconfortos que eles fazem um nó, e prendem sua garganta. Então o passo a frente acaba se construindo sozinho, sem que ao menos você pense. Oito meses foram quase uma vida. Quase uma vida de muita raiva, temperada com boas risadas. Broncas por deixar clientes esperando enquanto via Kobalsky bolar mais um plano, ou Patrick ajudando Bob Esponja em outra idiotice. Os brigadeiros e pizzas que sempre incomodavam tanto, vão ser motivos de saudade. É preciso coragem pra sobreviver, seguir em frente pisando firme para que nada possa te abalar. E muito mais coragem pra assumir isso, erguer a cabeça e se permitir ser feliz, procurar um novo caminho, um novo lugar, algo que te faça bem, sem lhe sufocar. A vida é feita de mudanças e elas sempre acontecem, querendo ou não.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Procura

E mais um dia chega, da mesma maneira acolhedoramente silenciosa. A mesma brisa de todos os dias sopra-me aos ouvidos dizendo sempre a mesma palavra: hoje. Os mesmo lugares da mesma monótona maneira aspiram um ar de mudança, uma mudança que nunca chega. Cores anunciadas a cada olhar diferente, a cada sorriso largo vindo em minha direção. Esta temporada de caça a borboletas estomacais está a cada dia mais cansativa. Com tanta tecnologia e comodismo e ainda não somos capazes de localizar o que é realmente importante. Planos e rascunhos do que ainda não chegou, agendando um futuro tão oco quanto incerto. Está por toda parte e vagamente sinto-o perto de mim. A esperança por mais clichê que seja ainda está aqui, acesa, esperando que em meio a multidão, ou na fila do pão, em qualquer lugar, esteja. Aquele que vai me fazer sorrir mais do que precise, até quando a barriga doer. Só pra poder olhar nos olhos e sentir-me segura. Ter abraços sempre que precisar sem ser acorrentada a nada. Não pareço procurar, mas estou sempre atenta, nenhuma certeza é absoluta. Não faço ideia de onde esteja, ou como é mas eu preciso encontrar. Me encontra, ou deixa eu te encontrar.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Faltou o sentido

Eu admirava os vloggers desde antes de serem febres. Vi PC Siqueira se lamentando de não poder assistir filmes em 3D por ser estrábico e também vi ele entrar no palco do VMB para participar de uma das maiores premiações da música teen. Assisti o primeiro vídeo do Felipe Neto, com sua câmera de mão, de poucos adereços, vi ele mudar seu cenário e ir parar num debate com o Lobão. Claro que me distanciei no auge da febre, quando percebi que PC Siqueira agora não vendia apenas as camisetas com suas frases e seus desenhos mas sim toda a sua imagem. Também o vi suplicar para que algum pet shop ou canil lhe doasse uma bulldog francesa para suprir sua carência, e daí nasceu a Lola. Presenciei Felipe Neto decretar o quão fracassado era, por ser ator e nunca ter conseguido alavancar a carreira, e que ainda mora com a avó. Mas, infelizmente também tive a infelicidade de assistir ao seu último vídeo do canal Não Faz Sentido. Felipe Neto com todo o charme de seu personagem que destila veneno sobre um tema específico por vez, resolveu, não se sabe por qual motivo, falar das propagandas. Logo no começo do vídeo, eis que surge uma súplica para que os publicitários que assistirem não se revoltem, com base na seguinte frase: "Lembrem-se mais vale um pássaro na mão, que tanto bate até que fura" (?) eu acho melhor pular esta introdução porque prefiro acreditar que trocaram o roteiro por algum daqueles quadros de comédia da mtv. Confesso que já admirei os trabalhos destes dois jovens, que, com toda a cara e coragem do mundo, filmaram uma reclamação pessoal e soltaram-a na internet, sem medir as consequências de nada disso. Admirava também, e principalmente pela argumentação. Felipe Neto sempre usou de metáforas, ironia e muito desprezo ao falar sobre determinado assunto. Sempre com argumentos cabíveis, explicáveis e racionais. E então, como se é de esperar, que nada na vida é perfeito, não por muito tempo, eis que em 18/11/2011, nosso queridinho astro que nunca conseguiu vaga na malhação resolve inflar seus pulmões para gritar a inutilidade da propaganda. Inutilidade esta, que ele vive por fazer, até mesmo quando posta em seu bem seguido twitter que está indo a um certo bar, ou cafeteria. Como o próprio nome do canal diz, não faz sentido algum falar aos quatro ventos sobre o que te sustenta. Os vloggers lucram de acordo com os acessos em seus vídeos, e não só os acessos mas sim a quantidade de cliques que as pessoas que assistiram o vídeo clicam nos pop-up que pulam e piscam nos cantos do monitor. Quanto mais acessos o vídeo tiver, mais anunciantes vão querer seus rostinhos bem ao lado. O que não deixa de ser propaganda é o suplício do mesmo, ao fim de cada vídeo, desde o primeiro. Quem nunca viu Felipe implorando para os telespectadores favoritarem e se inscreverem no canal, sinceramente nunca assistiram um vídeo por completo. Argumenta sobre os comerciais de cerveja, deixando claro que não está falando de cerveja e sim de Skol. "Porque os publicitários acham que quem toma cerveja tem idade mental de cinco anos? Ninguém quer MORRER por beber cerveja". E não há de ver que justamente o príncepesinho que tanto falava da ignorância alheia, escreveu em sua testa o quão ignorante é. Mal pesquisou ele sobre os conceitos e teorias publicitárias. Mal percebeu a alegoria dos três mosqueteiros tentando salvar o cooler de cerveja que não é nada mais que a donzela indefesa que só se mete em encrenca. Se quer pensou que a musiquinha dos pôneis malditos por mais infernais e empregnantes que fossem aumentaram em 85% as vendas da Nissan. E apesar de citar durante o vídeo, duvido que ele tenha raciocinado sobre o nome que o Brasil carrega na publicidade e marketing. Temos Washington Olivetto! Somos o país com mais premiações internacionais no mundo. O cooler não foi pro mar apenas para que os amigos entrassem e fosse parcialmente comidos por tubarões correndo o risco (enquanto realidade) de serem mortos em segundos mas, sim porque a cerveja é algo importante, e os tubarões não estão arrancando sangue de ninguém, estão apenas preenchendo o espaço cômico da história. Pôneis malditos não foram feitos exclusivamente e apenas para grudar na cabeça de todos e encher nossa paciência mas, sim, para comparar o termo de potência cavalos, enquanto melhor com os pôneis, que são inferiores, dos concorrentes. 

Faz sentido agora?



O coração de um humano bate 37 milhões de vezes ao ano. Em nenhuma delas você se lembrou.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Acontecer

Eu queria saber escrever bem, bonito, compassado. Gostaria de poder fazer sorrir a todo momento, sem intervalos. Ser feliz todos os dias, pelo menos por um pouquinho. Queria abraçar ao menos uma vez por semana alguém que eu goste muito. Eu queria poder estar ao lado de pessoas verdadeiramente importantes todos os momentos da minha vida. Poder matar a saudade sempre que ela aparecesse. Lembrar de todos os aniversários possíveis e ter um horário exclusivo no dia para telefonar a alguém que eu não vejo a algum tempo. Gostaria que a distância existisse apenas para as coisas desagradáveis, e que aumentasse a cada necessidade. Que todos os sonhos, fosse verdade pelo menos por um dia ou que pelo menos fosse mais fáceis de serem concretos. Eu quero tanta coisa e vivo querendo cada vez mais. Adiciono um ou outro desejo por dia, e se consigo realizar algum, duplico os restantes. Tenho um zilhão de motivos e acasos para deixar que a vida siga seu rumo sem muita euforia mas eu prefiro ter escolha, ou pelo menos pensar que a tenho. Pensar que um dia eu poderia fazer tudo o que quero, ou uma pequena quantia disso. E que se eu efetivamente não pudesse, que tornasse outras pessoas capazes. Como é um ser humano que vive? Assim do tipo que apenas se deixa carregar por entre os caminhos da vida seja lá quais forem. Carregando a vida baseado em acordar, dormir e comer. Sem luz ou cor alguma. E agora neste momento, eu quero apenas, que a vida não prive ninguém de vive-la.



sábado, 5 de novembro de 2011

Um

Único, singular. Monotemática, restrita. Não posso e não consigo ir muito além disso e quando a vida se limita a um único meio, não há muito para o que se viver. Existe apenas um nada, que tende a soar como algo. Enganações. Monocromática. Vida em escala de cinza, sem cores, sem vermelho ou verde. Apenas um motivo, é tão pouco. Tudo bem que quem nada tem, um pouco é muito mas, não é suficiente. Mesmice. Não sei falar de outra coisa, escrever sobre outro assunto, não sei sentir diferente, não posso pensar em algo que fuja as regras. O certo e o errado. Vida barroca, e eu não a quero. O que há no escuro? Tanto tempo na escuridão afetaram minhas pupilas.  Dilatadas a procura de luz. E a calma? Paciência? Não as encontro em lugar algum a não ser nos doces versos de Lenine. Um caminho, uma escolha, apenas um motivo, mas que se for pra ser apenas um, que seja o infinito. 


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

País das desmaravilhas

Ando ligando pouco para coisas que teoricamente deveriam valer muito. Levando a vida apenas por respirar e talvez isso seja o que mais me sufoca. O paradeiro de algo que nunca parou, ecoando em um vazio que sempre está cheio. E quanto mais se aproxima mais distante parece estar. Um passado não tão longínquo que não está a nada mais que cinco meses de distância, parecendo brotar de um sonho que nunca aconteceu. Caminhos mais fáceis talvez sejam os mais dolorosos e os realmente necessários talvez não sejam possíveis. Todos te dizem apenas calma mas, se isso bastasse os problemas da vida diminuiriam pela metade. Começar a dar valor em coisas que não valem nem um centavo, ou nenhuma lágrima que venha a cair. Sua estabilidade emocional é o verdadeiro premio aqui, e apenas quem se viu distante e de mão amarradas saberá do que estou falando. Só mais dez dias, é apenas isso que peço. E só rezo para que passem o mais depressa possível. Eu gostaria mesmo de melhorar e até minto com frequência para mim mesma dizendo que não é nada. Uma pena não venderem sorrisos em xarope ou quem sabe, carinho em comprimidos. Eu apenas desejaria nunca ter visto esse maldito coelho branco.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Carta de fora

Nem tão longe porém distante, quase 21 de outubro de 2011

Olá pessoas de mesma descendência que eu,

Como vão as coisas por ai? Espero que estejam bem. Ando recebendo poucas notícias de um lugar que quase nada acontece. Aqui as coisas também andam paradas aliás, andam até movimentadas mas, para mim, não anda fazendo diferença. No sábado irá acontecer uma festa fantasia, estou realmente com expectativas sobre ela, uma festa nunca foi tão necessária, sem dúvidas. Não ando me sentindo bem mas isso já não é novidade. As coisas acontecem mesmo eu não querendo como a água de um rio que continua correndo mesmo que o inverno seja cruel. Os dias soam cada vez mais tensos e carregados, e me sinto cada vez mais sozinha e perdia, mas isso também não é nenhuma novidade. Vontade de jogar tudo para o alto e sair correndo, mas acho que isso todos temos uma vez ou outra na vida. Não existe almoço no horário certo, mas troquei o gás sozinha! A vontade de telefonar está cada vez mais frequente e cinco vezes por dia não anda sendo suficiente, para quem ligava uma vez a cada três dias né... Tenho planos para visitar-los logo, mas ainda não afirmo nada. Gostaria muito de poder fazê-lo, porém. Mandem notícias, mesmo que nada continue a não acontecer. Só saber que alguém se lembra de mim já me fará um bem tremendo, ainda mais nas condições que me encontro.

Os meus sinceros abraços e votos de saudade

Jôicy

  

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Chega o fim da semana, e com ele, o fim de mim. 

jf


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Codinome dinamite

À muitos e muitos dias que venho abrindo essa página sentindo que tem algo querendo escorrer pelos meus dedos e nada sai. Ficou aqui por horas, dias e hoje, com uma semana resolvi espremer pra ver o que vira. Não ando nada filosófica ou reflexiva, na verdade ultimamente sou a pessoa mais insuportável presente na face terrestre. Estresse, talvez seja isso. Ultimamente não ando querendo nada além de pegar aquele ônibus que atravessa a ponte e me leva pro meu ninho...
Estou fazendo o que posso e talvez isso seja o que mais me sufoca. Coisas médias nunca me fizeram bem. Meias palavras, metade amigos, umas companhias... ou é completo, ou não. Não me contento com um pouquinho, não acho saudável. 
O telefone não me basta mais, o blog me entedia e todas as folhas de sulfite não sorriem mais quando faço cócegas com os lápis de colorir. Nem meus rabiscos, chamados por terceiros de desenhos, andam me suprindo. Eu quero uma pouca dose de tudo, ou quem sabe, estou de saco cheio de tudo. Vontade de morder, gritar, de chorar até dormir. Saco completamente cheio, tão cheio que deixo-o explodir por estas palavras. Peço desculpas desde antes, antes de começar, de acontecer, perdoem-me. Tudo está correndo bem mas nada da maneira que eu planejei. Um pano fora do lugar já é motivo de morte e as horas parecem parar. Só mais vinte e nove dias, vinte e nove. Talvez não seja nada para quem já esperou cento e trinta e três... Tudo soa como falsidade e nem aquela festa pela qual você esperou o ano todo te anima. A vontade de jogar tudo na mala e dar meia volta começa a berrar mas...
Talvez o bom senso seja o maior culpado de tudo, não posso jogar tudo para o alto, o que conquistei até agora e o que ainda está por vir. Ninguém vê o sofrimento que foi e as noites sem dormir por trás das notas acima da média da turma. Parabéns, universidade pública. No edital do vestibular não tinha nada sobre saudades estremas ou uma vírgula se quer sobre todo o sofrimento que era morar sozinha. Falta dinheiro, paciência e carinho, tempo nunca tive. Não, não está bom ou pelo menos não é o suficiente. Eu só queria meia hora por mês pra deitar no chão verde e fresco da área pra deixar minha Luly dormir nas minhas costas ou acordar com a crise de hiperatividade da Luna. Eu só queria acordar um domingo no mês com a mesa cheia de rosquinhas da dona Catharina e ouvir a Júlia gritando da cozinha sobre algo que eu esqueci de fazer. Tio, manda alguém vir me buscar?
Mas é assim que a banda toca e assim que vai continuar sendo enquanto for suportável. Era assim que eu queria, e ainda é assim que eu quero que continue, não exatamente assim, mas se isso é o mais perto que posso chegar paciência. Nunca fui muito conformada com absolutamente nada. 


terça-feira, 4 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Falta isso e todo o resto

Ando sentindo muita falta, de absolutamente tudo. Dos gritos, do calor insuportável, do tédio, da amargura. Da sorveteria cheia de mentes vazias do mercadinho lotado que sempre faltava justamente o que você precisava comprar. O cheiro das roscas que a vovó tirava do forno no sábado a tarde, polvilhadas em canela me perseguem enquanto gasto as únicas horas vagas do dia. A bagunça é constante, e bem mais forte do que eu. Falta companhia, dinheiro e ânimo. Sobra saudade, dor e melancolia. Qualquer coisa que digam ou façam te irrita tanto que você sente vontade de gritar até virar-se do avesso. Qualquer animal na rua irá se parecer com a sua Luly que te esperava chegar do colégio todos os dias deitadinha do lado da porta, e que não desiste de ir até o seu quarto, ainda que saiba que ele está vazio, te procurando. Ando sentindo muita falta das sextas feiras em que era preciso fazer milagres em quarenta minutos e passar mais quase uma hora farreando no ônibus. Eram tardes estupidamente quentes, e cansativas, mas dá uma nostalgia. Não haviam reclamações e meu maior problema era voltar a tempo da fugidinha que dávamos até o centro da cidade para tomar sorvete e não perder o ônibus que nos levaria de volta pra nossa vila. É tão estranho chegar na matriz e ver uma igreja pronta e até mesmo envelhecida e não a construção do milho verde que já dura onze anos. Torna-se massante e sufocante. Peço que me perdoem, mas se eu não puder gritar por aqui, sinto que me morro. E as lembranças todas aqui, são as únicas coisas que eu não sinto falta. Imaginar-se viajando naquele ônibus capenga é a única coisa que te faz bem, e você começa a contar os segundos para que esses dois últimos e mais dolorosos meses passem mais do que depressa, sem saber se vai suportar até lá. Falta muita coisa, tudo isso e mais um pouco. 


terça-feira, 13 de setembro de 2011

O ateísmo nada tem a me oferecer

O ateísmo nada tem a me oferecer.
Ele não me traz conforto ou certeza,
Nele não há nenhum ensinamento ou dever,
Nele não há ilusões de grandeza.
Jamais me disse como devo pensar,
Jamais me trouxe saber ou inspiração,
Ele não me obriga a crer sem duvidar,
Não me ameaça com a eterna punição.
Não torna minha vida mais contente,
É indiferente quando imploro,
Não promete a cura quando estou doente,
E não me traz alento quando eu choro.
Nele não encontro nenhum concelho,
Nenhuma resposta,
Nenhuma indagação,
Ele não me pede para cair de joelhos,
Ou passar a vida pedindo perdão.
Ele não me oferece a tola felicidade de me achar um escolhido entre tanta gente
Ele não me induz a cometer maldades para a glória de um Deus ausente
O ateísmo não me ensina a odiar ou discriminar os diferentes de mim
Não proíbe os iguais de amar
Não me diz o que é bom ou ruim
Não me diz que a vida vale a pena
O ateísmo nada me oferece, é verdade
Mas como a realidade me basta e só quero viver o que sou
Então o ateísmo me oferece tudo
Tudo que um dia a religião me roubou. 
Ricard Coughlan



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Inconstante


E como se alguém realmente se importasse, todos viram-se tentando demostrar preocupação. Ela não estava bem, sabia que não, mas, apesar de tudo e de todos sorria e negava friamente a sua realidade. Talvez houvesse possibilidades de ser diferente, mas isso ficou para traz, muito atrás. Sem saber quanto tempo faz. Ela sempre soube de pouquíssima coisa. Só se lembra que era uma quarta feira, uma quarta feira bem quente. As vezes ela queria apagar aquela tarde da memória, e de vez em quando pensa que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. É tudo tão incerto e irreal. Uma única chance, era só isso que ela precisava. Ele não segue padrões e talvez por isso seja tão irresistível. E as coincidências brotam por todas as arestas como um campo minado de dúvidas. A razão já não basta, necessita-se de voar. Ir mais além, ou pelo menos até onde possa se pisar em terra firme. E talvez seja o que ela sempre quis, ou quem sabe só mais um terrível engano. Ela não se importa, está acostumada a isso. Todos encontram, menos ela. Com o passar do tempo, aprendeu a lidar com isso e passou a ver como uma sorte gigantesca. Talvez não seja bem isso, muito provavelmente não é. Fechando-se para o mundo e seus tantos relacionamentos como forma de se proteger de novos tombos. Seus joelhos estão feridos demais para outros, seus joelhos e seu coração. O que ela menos precisa é de dúvidas, e ironicamente é o que ela mais tem. Talvez ela não mereça ele de verdade, ela não é a metade das garotas lindas de corpo escultural que estão sempre por perto.  Mas se ela se enganar e a realidade for o sonho e vice e versa. Quem sabe ele não se lembre dela todos os dias em diferentes momentos, de forma inconsciente. Talvez ele fale dela para os amigos, mas quem sabe se é durante as piadas ou realmente contando algo real. E quem saber apesar dos pesares o tudo seja nada, e o nada se torne um mundo.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Contando um conto

Aquela história de que sempre haverá um novo dia não é tão legal quando olhada do ponto de vista de domingo. Segundas feiras muito raramente são bem vindas. Mas ainda assim elas chegam, e nos aperta com a força de um dia comum. Lia sente o sol aquecer seu rosto e desperta, mesmo que meio forçadamente. São onze minutos sentada na cama, olhando a janela e se perguntando porque. O banheiro parece estar a quilômetros, e o chão nunca foi tão frio. O tornozelo grita devido a um antigo problema que nunca a abandona. Isso é bem a cara dela, problemas que vêm e grudam em sua vida tornando-se parte dela. Na verdade, hoje, nem vida é mais. É apenas um monte de problemas amontoados caracterizando uma pessoa, fria, parada, sem muito ânimo ou ânsia de viver. A pia lhe serve de apoio enquanto se olha no espelho tentando se lembrar do dia anterior. A maquiagem pesada e agora extremamente borrada remete a lembranças não tão claras. Talvez tenha sido uma puta festa ou não. Mas soa bem mais como uma roda na casa de alguma amiga, com outros amigos e música. Seja o que tenha sido havia bebidas, bebidas altamente alcoólicas. O que antes não demorava quinze minutos, hoje leva quarenta. Da vizinha vem o cheiro de café, tão quente e agradável quanto o líquido em si. O copo de leite gelado não desce, e as bolachas estão realmente sem graça. E ela sai, da mesma maneira de sempre, com as chaves na mão e pensamento lá no antes. São seis longos quarteirões até a loja onde trabalha. Depois de dois, atravessa uma avenida cortada por um pequeno rio. É pequeno e não possuí um cheiro agradável mas é cercado de belas árvores que ficam extremamente floridas algumas poucas vezes ao ano, dando-lhe motivos para continuar andando. Talvez seja um dia excelente mas muito provavelmente não. Os "bons-dia" jorram de todos os cantos e o relógio confirma sua desconfiança: Quinze minutos atrasada, como sempre. O dia começa mal e continua entendiante. Atravessa todo o ambiente de trabalho em busca da única coisa que lhe anima: a música. Empurrada canção após canção até que o relógio marque onze e meia. Como quase sempre imprevistos acontecem e só sai de seu cárcere aberto por volta do meio do dia. O caminho para casa é bem mais agradável e sorridente. A esta hora, leves traços de bom humor começam a aparecer. O almoço é rápido e sem graça se estiver sozinha, mais demorado e normal se estiverem todos em casa. Comer correndo, fazer tudo correndo, são as duas horas mais valiosas do dia. Variando entre trabalhos de faculdade atrasados, livros pra ler, sono e preguiça. E quando menos se espera duas horas já se foram e lá está Lia, de volta ao calçadão da cidade. A tarde passa inversamente proporcional ao nível de animação. E das quatro as seis o relógio simplesmente voa. A faculdade é um caso suportavelmente a parte. Tirando os falsos e estranhos, dá pra extrair bons risos. Logo a cama de colchão mole herdada da bisavó aparece e lá vai ela, para o único lugar onde se sente segura e realmente feliz, dentro de si mesma.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mais leite que café

O tempo então passa, passou. Feriados, fins de semana, férias inteiras chegam e se vão como areia no vento. A distância pode ser pequena, mas aumenta conforme cresce a saudade. Não há como não sentir falta. Não são apenas lembranças, toda sua vida ficou para trás. A vida que você viveu até aqui, daqui para frente é outra história. Como comprar um caderno novo, você sempre se lembrará de algumas frases que era bem mais legais só que elas estão no caderno velho... Morar sozinho é legal, o problema é ficar longe das pessoas que você queria mais perto que qualquer outra. Seu desejo de comer lasanha não é mais realizado no domingo e se você se comportar bem mas, também não passa de uma bandeja de congelados. Você pode tomar quantos porres quiser, no dia que quiser, mas sabe... não vai ter ninguém que se importe tanto com você e isso não é tão legal quanto parece. Você pode virar noites fazendo trabalho, festejando ou jogando vídeo-game e isso realmente não fará diferença. Feijão talvez se torne o prato mais mágico do almoço e você finalmente descobre porque ela reclamava tanto quando você sujava muita louça. Suas conquistas não são comemoradas com abraços e festejos de todos ao seu redor, o máximo que você consegue é um parabéns e um gritinho de felicidade mas ao longe, pelo telefone. Emails, redes sociais, celular... a saudade geralmente fica tão grande que não cabe mais em lugar algum. As pessoas da sua cidade passam a perguntar de você e você realmente percebe que era notada e quem sabe, até querida naquele vilarejo de onde veio. As visitas da sua mãe ao seu quarto não são mais aterrorizadoras e se tornam a cada segundo mais desejadas. Um carinho, um olhar, ou até as broncas fazem falta, tanta falta. Você começa a ficar triste sem motivo, e se afunda em chocolates torcendo para que seja tpm e não é. Você sabe que não é. Sentimento mais urgente que existe, porque me torturas tanto? Você enjoa das músicas e dos seus filmes prediletos. Enjoa das piadas, das conversas e das companhias. Quer apenas uma coisa: pisar no chão vermelho onde você aprendeu a andar. Ver aquele monumento ridículo que você adorava zoar ainda lá, do mesmo jeito e seus olhos enxerem de lágrimas sem se conter. A igreja ainda está lá, caminhando lentamente em sua reforma que já dura onze anos. É necessário sair para que se possa sentir saudades. E talvez seja não só o sentimento mais urgente, mas talvez o mais necessário. Aniversários, festas, datas, tudo vai vem e o máximo que pode fazer é mandar uma mensagem ou telefonar. As roupas não terão o mesmo cheiro mesmo que use o mesmo amaciante e o mesmo sabão em pó. Têm bagunça por toda parte, no quarto, na cozinha, no coração. Jogando roupas pelo quarto como quem se livra de dores que pensam-lhe a alma. Não resolve, você sabe que não. Ninguém va arrumar seu quarto, ou berrar até que você arrume. É simples, se você esquece roupas no varal e chove, tudo vai molhar. Não tem mais almoço pronto te esperando no fogão, nem café da manhã arrumadinho na mesa, é você por si e ninguém mais e isso as vezes cansa. Sei lá, as vezes a saudade ultrapassa seus limites e suas medidas; Passa de saudade para solidão, não se pode conter. Talvez nem seja tudo isso que parece, e a dor seja bem menor. Talvez eu só precise de um descanso, um abraço ou alguém que pelo menos pareça se preocupar. Desculpem-me pelo desabafo mas, saudade dói, e não me ensinaram a sofrer.



sábado, 13 de agosto de 2011

Alumbramentos

Uma noite amena de agosto, um auditório cheio porém humilde. Agosto dos grandes espetáculos. Seriam três aulas de Redação Publicitária II mas acabaram por ser uma das experiencias mais lindas que tive em vida. De início ficaram ecoando na minha cabeça vozes que me faziam tentar querer achar um motivo para ter ido a faculdade naquele noite, pergunta logo respondida. Peguei meu material, saí, atravessei o estacionamento, cheguei, entrei, sentei. Até então parecia um convite para um cochilo, um ótimo cochilo. Pessoas da cidade dividiam as poltronas com boa parte das turmas de comunicação. Flashs, risos, assuntos aleatórios e enfim, as luzes se apagaram. Uma voz feminina avisa que as fotos e filmagens são proibidas se não possuírem um aviso prévio. Há muitos, mais muitos anos mesmo que eu não assistia uma apresentação de Balé. Uma luz acende no palco, e em foco um homem seminu inicia o espetáculo. Não há como descrever o que se sucedeu. Movimentos perfeitamente sincronizados maravilharam meus olhos. Poesia em dança, balé de música. Inspirados nas obras de Manuel Bandeira, suas influências e vivencia poética, o Balé me ocupou por pouco mais de uma hora. Uma das horas mais bem ocupadas em minha vida. Uma sequência de ritmos, versos e gestos. Como um amigo me disse, é como tentar descrever o gosto de uma laranja. Não havia cenário, e o figurino foi mínimo, bem ausente mas não faltou conteúdo. Instante único de conhecimento da vida, como o próprio Bandeira definia Alumbramento. Grandiosos espetáculos. De sons eletrônicos, a batidas africanas e samba brasileiríssimo. Um banho. Lavou minha alma. Encerrou-se assim, calmo, delicado como quem avisa antes que vai partir. Como um círculo perfeito, terminou exatamente da maneira que começou, um pouco mais suado porém igual. Espero que Frutal continue me surpreendendo assim, me enchendo de arte e de vida, ou só de uma, afinal, não consigo separá-las.

Parabéns a Cia de Balé de Rio Preto



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sertralina

Mais uma vez voltei, no mesmo lugar, parada, sem reação. Prometi que nunca mais seria assim, jurei, tudo em vão. O chão novamente em cima de mim, e até o ar parece me abandonar. Tudo vazio e escuro, tenho medo. Eu não quero muito, apenas alguém que segure a minha mão. Todo mundo ouve, e ninguém me escuta na verdade. Eu quero algo além de gritar, quero que alguém me socorra. Não tenho chão e não me ensinaram a flutuar. As coisas acontecem sem que eu possa ter controle. Sozinha de novo, palavras não me deixem. As vozes estão todas aqui, ecoando sem fim. Em pé num desfiladeiro infinito,  e frio. Eu não queria nada de volta, achei que tinha deixado tudo para trás, mas de novo me enganei. Vivo de erros, me enganando sempre. Não queria elas de volta mas estão todas aqui. Os médicos e os amigos te dizendo para que não fique assim, como se isso bastasse. Não é legal, eu sei que não, mas é mais forte que eu e mais uma vez eu fui fraca. Não posso ficar sozinha, solitária sou mais frágil que um recém-nascido, começando a vida do zero. Fui fraca e as vozes voltaram. Pedi pra eles saírem. Por favor Fredie, tire eles daqui. Chega, não quero de volta. Cinco anos atrás eu cai no mesmo buraco e não vou voltar. Escrever sorrateiramente como quem chora em silêncio para não se deixar morrer. Não estou louca, só não quero sair daqui enquanto Pandora não vier cantar pra mim. Afinal tudo estará bem enquanto você tiver uma cartela de remédios controlados ao seu alcance. 


sábado, 23 de julho de 2011

Tributo

"Amy era talentosíssima, mesmo com todos os problemas com a dependência química, foi por muitos considerada uma das vozes do século XXI. Desde a primeira vez que a ouvi, fiquei apaixonada. Difícil é ter que ler esses discursos moralistas, ignorantes sobre dependência química que agora aproveitam a tragédia para expor uma torrente de comentários maldosos, frios e preconceituosos. Dependência, meus caros, acontece por uma predisposição genética, um impulso de autodestruição, uma condição mental. A doença crônica, alcoolismo, uso exagerado de substâncias pesadas, combinado a fragilidade de Amy para lidar com a fama. Fim provável. Lamento a morte, a perda de uma intérprete extraordinária, uma letrista excelente. 27 Anos, dois álbuns, sou uma admiradora da obra de Amy Winehouse. Envio luz e amor ao coração dos familiares e amigos, pois sei o que é querer ajudar e ver-se impotente diante da autodestruição de quem se ama. E aos fãs, ficamos nós mais umavez com uma pequena obra, a lembrança de mais uma dessas almassensíveis, desses seres humanos talentosos e complicados que surgem de vez em quando. Eu esperava que ela desse a volta por cima. Sou dessas fãs choronas. Amy Winehouse para sempre."
Patrícia Paola de Almeida






quarta-feira, 20 de julho de 2011

20 de Julho

Muitos abraços foram dados hoje. Alguns presentes, zilhões de sorrisos. Até onde pode se descrever um amigo? O que define alguém como amigo? Até onde se mede uma amizade? Amor, companheirismo, confiança. Como se fabrica? Nasce do conselho, do abraço, do olhar sincero. Nasce com humildade sem interesse, sem pretendentes. A forma mais pura e límpida que se pode obter do amor. Entende o seu choro calado, sua grosseria em um péssimo dia. Sabe quando você precisa dele, e está SEMPRE ali. Você confia até a sua própria vida e sabe que é retribuído. É o orvalho suave, a melodia mais doce, o carinho mais desejado. É o latir do seu cachorro quando tê vê, ou o simples balançar do rabo. É a companhia que se precisa todo o tempo, mais necessário que a própria vida. Você não precisa falar com ele todos os dias, ou vê-lo, seu coração sabe onde ele está. A despedida mais doída, a lembrança mais presente. Passam anos, quilômetros e eles sempre estarão ali, seja no celular, msn, ou skype. Os sms's mais lindos de aniversário, as piadas prontas mais idiotas. As risadas sem sentido, ou que tenham todo o sentido do mundo. É tudo que há de mais puro. É pra quem você quer ligar quando algo dá super certo, ou errado. É de quem você recebe mensagens de madrugada, xinga na hora e ri muito depois. É com quem você divide grande parte da sua vida, e ainda queria dividir mais. É aquele que chama sua mãe de tia e as vezes até brinca falando que é seu irmão. Serão os personagens principais das histórias que você vai contar para os seus filhos e netos. É o que há de melhor em você, isso é amizade. 

Feliz dia do amigo

Absoluto

19 de Julho, Dia do Futebol. Muitos dos que me conhecem a tempo devem estar realmente intrigados com o fato da minha pessoa estar dedicando um post no blog especialmente a esse data. Sim, eu já fui dessas que odeiam futebol, até que um lindo dia, conversando com uma amiga descobri o quanto eu era incoerente. Eu odiava futebol e nunca tinha um time mas sempre enlouquecia durante as copas do mundo e como boa nacionalista que sou não poderia continuar "odiando" algo tão brasileiro. Odeio incoerência mais do que achava que odiava futebol. Só ai passei a perceber que o que eu realmente tinha raiva era das brigas de torcidas, no vandalismo e nas zoações desnecessárias e o futebol não se trata só disso. Sem contar o fato da grande vergonha que eu passava sempre que me perguntavam a que time eu torcia. Acreditem, responder: nenhum, ou pra seleção brasileira te torna um completo imbecil, sem mais. Em 2009, durante um longo debate em um fórum do orkut, um desconhecido me adicionou. Eu nunca repeli amizades, de nenhuma forma e sim, eu li todas as dicas de segurança em conversar com estranhos na internet. Logo que a conversa começou, descobri que era gaúcho e em seguida vieram milhares de bajulações ao seu time do coração. Quando me perguntou a que time eu torcia, respondi nenhum com um nó na garganta (ou nos dedos, como preferir) e a resposta foi o que mais me surpreendeu: você precisa de um time pra torcer, pra descobrir a maravilha que é quando ele ganha, e como é difícil resistir quando ele perde, sensações que todos temos que ter na vida, e são únicas. Eu ti muito durante toda a conversa que não passou muito disso. Eu não sei explicar bem o que foi, mas algo no que ele disse ou uma vírgula na sua conversa me fez mudar meu pensamento. Passei a pesquisar sobre o time do qual ele tinha falado tão orgulhoso e do nada comecei a me orgulhar também. Um time que nasceu do povo, sem grandes patrocínios ou influências, que já havia conquistado todos as taças de todos os torneios inclusive o mundial fifa com a mesma humildade em que nasceu, que possui torcidas enormes e que mesmo assim quase não se envolve em tumultos ou brigas, um time que mesmo com mais de cem anos de história nunca esteve na segunda divisão, que construiu seu estágio com doações de torcedores e a fibra que só um gigante poderia ter. Alguns meses depois, esse amigo (juro que não me lembro o nome) voltou a falar comigo, com o mesmo tom de orgulho nas palavras. Dessa vez ele apenas me pediu para que torcesse para o time dele porque ele estava muito próximo de ganhar um campeonato muito importante. Sem entender direito, passei a torcer. Então vieram as semi-finais, e eu torcendo, e finalmente a final. Sim, Sport Clube Internacional, o campeão de tudo era então Bi-Campeão da América. Presenciar isso foi inexplicável, e a partir daquele dia, toda a nação colorada sorriu para mim e eu finalmente senti que fazia parte da turma do Saci. Eu sempre tive um carinho especial com o Rio Grande do Sul e esse carinho finalmente tinha tomado uma forma. Desde então, não me tornei uma fanática mas hoje tenho um time. Um time que não precisa de grandes detalhes para ser grande, é gigante apenas com a força que tem. Aprendi o hino, e em breve terei uma camisa. Não é daquelas paixões doentias, é apenas um amor suave. Agora eu tenho um time, e mesmo com as derrotas eu estarei do lado dele, porque isso é algo pelo qual vale a pena todos passarmos.

Segue tua senda de vitórias, Colorado das glórias, orgulho do Brasil s2




segunda-feira, 18 de julho de 2011

Defeitos irreais

Vocês realmente estão envergonhados com a derrota do Brasil no futebol ontem? Ah, gente por favor. O Brasil perde a tempos pro Paraguai em alfabetização e eu não vejo nem a metade da revolta que houve ontem. O jogo foi ruim, e como foi, mas acabou, ninguém ganhou nada com isso (a não ser o Mano Menezes que muito provavelmente ganhou sua demissão). Perdemos todos os dias para os índices de saneamento básico, de crianças com até 17 anos na escola e ninguém cria comunidades no orkut por isso. Foi vergonhoso, e como foi, mas não tanto quanto ouvir nosso presidente dizer que o Brasil agora pode ser considerado um país de primeiro mundo quando nosso salário mínimo ainda beira os 550 reais e os de países desenvolvidos não ficam por menos de dois mil reais mensais. Vocês tão orgulhosos por sermos sede da copa do mundo de 2014 e ainda não se sabe como vamos conseguir terminar os estágios e as reformas a tempo. Tantos problemas concretos e necessitando de soluções urgentes e vocês ai, falando mal do Elano como se ele tivesse jogado sozinho. Que atire a primeira pedra o time que nunca perdeu um jogo se quer. Vocês ai chorando como pré-adolescentes em seus tumblrs melodramáticos de amores incompreendidos enquanto crianças no nordeste choram por um prato de comida. Isso quando elas conseguem ter forças ou tempo de vida pra chorar. Todo mundo tão preocupado com o desempenho do Brasil na próxima copa do mundo que estão faltando pessoas pra ajudar em campanhas de vacinação. Na copa da África todos ficaram super putos pelo Dunga, até então técnico e apelidado carinhosamente de burro não ter levado os meninos da vila pra brilhar e agora as mesmas pessoas super envergonhadas dizendo que ele tinha razão. Me diz quem foi que inventou a regra que jogador de futebol tem que ser perfeito e só marcar gols o tempo todo? Todos fazemos cagadas né, por favor. Os pênaltis foram pra fora sim, o Brasil voltou pra casa sim e o desempenho não anda como antigamente sim mas e daí? O que menos se precisa é de mais gente enchendo a boca pra falar mal de todos: técnicos, jogadores e até do massagista se deixar. Enquanto vocês discutem ai se era a grama que não era de primeira linha, ou se é o técnico que não está bom o suficiente, mães abandonam seus filhos por não ter condições de criá-los. Me poupem de problemas irreais, a realidade é muito mais urgente e cruel do que seus acomodados olhinhos podem ver.


sábado, 16 de julho de 2011

Da pedra as relíquias

Eu cansei de dizer que não iria me empolgar, que tinha crescido e que ia me contentar em apenas assistir como uma pessoa normal, mas foi bem mais forte do que eu. Não consigo me contentar com o fim, não posso. É parte de mim, cresci com isso. Foi com eles e junto deles que aprendi o significado da verdadeira amizade, da confiança, da coragem, garra. Harry Potter nunca foi uma simples historinha infanto-juvenil, não tem como. Minha história com ele, começou bem no início mesmo. Depois de passar dois meses observando Harry Potter and the Philosopher's Stone em primeiro dos livros mais vendidos no exterior (via revista Veja) decidi que PRECISAVA ler aquele livro. Li quase inteiro em espanhol, por ansiedade e finalmente em primeiro de janeiro de 2000 quando a versão brasileira chegou as livrarias. Não existe ainda maneira racional de descrever o que sinto, e porque sinto tudo isso. Não posso lidar com o fim, eu não suportaria. Prefiro acreditar que Joanne está escrevendo o oitavo. Agradeço e continuarei agradecendo eternamente por ter tido a honra de fazer parte dessa geração, ter presenciado o maior fenômeno literário dos últimos tempos. Tive a honra de ir em algumas pré estréias mas nenhuma nunca se comparará a ultima. Chorei na parte na história do príncipe, chorei na abertura do pomo, chorei na estação de King's Cross, chorei quase o filme todo e mesmo assim não me arrependo. A magia sempre esteve aqui, e continuará aqui, não me importo com números e com ideias e comentários opostos. Não, eu não vou crescer e também não vem com essa de "você vai esquecer..." não dá gente, me desculpem. Como posso apenas deixar para trás grande parte da minha infância? O responsável pela minha paixão por literatura.. e acima de tudo o meu amigo Harry. São dez anos comigo, dez anos fazendo parte da minha vida. Tinha apenas oito quando descobri toda essa magia e hoje com dezoito não me vejo sem eles. Com PotterMore ou sem ele eu não posso apenas virar as costas e sair, não posso me deixar orfã. Harry nunca me abandonou, e eu farei o mesmo. Não posso virar as costas para os ensinamentos de Alvo Dumbledore, ainda que me chamem de criança. Se for preciso esquecer para crescer me perdoem, mas eu morrerei na terra do nunca assistindo Harry Potter com o Peter Pan. Aos amigos das filas do cinema, a todos que ficaram até o fim. Nada poderia ser melhor, e ainda que realmente seja o ultimo filme, estou feliz por ter acontecido. Os efeitos, as cenas. O melhor filme de todos. Esse ano tive a honra de fazer a cobertura para o Potterish em São José do Rio Preto (www.potterish.com) o que, sem dúvidas só aumentou a magia do fato em si. Chegamos cerca de nove da noite no shopping e logo fomos rodeados de pessoas que sabiam que estaríamos ali, e estavam lá desde as seis da tarde. Foi lindo, sem mais. Tudo correu perfeitamente como deveria ser, e só digo uma coisa, preciso de reprise!"ora tom, vamos terminar isso da mesma forma que começamos, JUNTOS". Tem várias outras coisas que eu queria escrever aqui, mas não quero que fique grande, calarei-me. É fanatismo demais para pouco blog, e uma vez um professor muito sábio me disse para tomar eterno cuidado com os ismos. Nem tudo termina aqui.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Chega

Sabe quando cansa? Quando você pára e percebe que não dá mais. Chega a beira do precipício e olha para baixo, grita. Apenas grita. Ninguém vai te dizer pra não pular, nem te segurar. Você luta, tenta, corre e nada muda. Tudo parece tão estático quanto um monte de pedras. Você se enche de tudo, e principalmente se enche de se sentir vazia. Você não tem chão, nem caminho pra seguir. Vontade de xingar todo mundo, falar um monte de merda e gritar até as lágrimas explodirem no seu rosto. Nada vai valer a pena. Seu disfarce de garota comportada e conformada com tudo e todos começa a derreter. Você vai precisar trocá-la. Faremos de tudo para optar por uma mais resistente, que tal a da verdade? Ela não é totalmente bonita e tem muita gente que não gosta, mas pelo menos ela não vai te machucar, nem te apertar em nada. Cansei, ponto final, acabou, chega, CHEGA.

sábado, 18 de junho de 2011

E ainda assim

Erros, erros, errar. O que fazer quando tudo dá errado? Quando você não sabe porque mas não consegue fazer nada certo. Até o chão que você pisa parece te enganar, a vida toda te engana. Você não pode nem respirar sem a certeza de algo. A insegurança é tanta que nem a sua sombra é confiável. Absolutamente tudo dá errado. Você programa algo, e luta por aquilo e ainda sim não dá certo. Seus planos se vão como leves e delicadas pétalas de flores soltas pelo ar, sem destino, apenas com uma ordem: vão. As coisas boas te abandonam e você se perde em erros. E ainda assim você permanece fria, calada, intacta, até que uma leve lágrima desce sem permissão pelo rosto, e então toda a muralha vem ao chão. Saudade, problemas, cobranças. Eu juro que não sei até quando suportarei. A muralha caiu, desmanchou-se em lágrimas e mesmo assim, já está se reconstruindo. Até quando ela suportará esse processo não sei, na verdade a muito tempo que eu não sei de nada. Ninguém sabe e nem precisa saber. Eu só quero acertar. 


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Pretérito

Voltando da faculdade avistei a curta distância a melhor ilustração de nostalgia que eu poderia ter. Embaixo das árvores que marcam a entrada de um colégio, um grupo de umas quinze pessoas, uma garrafa de vodka e um violão. Nada poderia ter sido mais triste e ameno ao mesmo tempo, comovente até. 
Contive minhas lágrimas e segurei para não gritar com o aperto que o coração me deu, quero tudo de volta. Ou ao menos quis por um segundo. 
Chegar naquele ônibus lotado, após quase uma hora de viagem e de uma longa aula de cursinho pré-vestibular e ver todos te esperando. Casa de uma amiga, uma árvore, violão, vodka e a galera. Nunca precisamos de nada além disso e éramos tão felizes, TÃO felizes. Lá de debaixo da árvore da Dona Cida, quantas risadas e histórias ficaram por lá? Não queríamos nada além de passar o tempo e não pedíamos muito, apenas para que o sono não viesse para que pudessemos curtir o máximo possível de estarmos juntos. Não era sempre a mesma turma e não era todo dia que todos podiam ir, mas o que dava para ser era e era de uma forma surreal. 
Vontade incontrolável de pegar o relógio e começar a voltar o tempo, na mesma velocidade e com a mesma facilidade que voltamos fotos. Confundo-me, me perco, mal sei para onde correr. 
Ninguém disse que seria fácil, porém também não me avisaram o quanto doía. Me sinto como uma masoquista afinal não me arrependo. Não me arrependo de absolutamente nada pois é preciso mudar para que se possa sentir saudades, e finalmente ver o quando aquilo foi bom. O maior problema é que depois disso, não resta muito além de aceitar seu presente e ficar feliz por ter acontecido. Saudade não tem sabor, mas é constante, comum e necessária. 




segunda-feira, 6 de junho de 2011

Vale a pena

Eu sei que falar de temas comuns não é muito o meu forte mas alguns deles realmente merecem. Como estudante de Comunicação e ainda mais com habilitação em Publicidade, sou meio suspeita a dizer mas eu preciso falar. Tenho necessidade imensa de comentar coisas que são bem feitas, que me chamam a atenção, coisas nobres hoje em dia. Uma dessas coisas foi a nova propaganda do bombom Serenata de Amor que ultrapassou os limites de fofura e doçura comuns no dia dos namorados e veio no sentido contrário a tudo que se está acostumado. Enquanto todos apostavam em amores perfeitos e casais felizes, ele foi tocar no lado mais comum e mais dolorido: os amores perdidos. Eu me emocionei do primeiro segundo de vídeo até o fim. É brilhante como o mais comum sempre passa despercebido e continua passando a cada dia. Eu bem que tento ser uma pessoa normal, me comportar como uma e não reparar em temas bizarros como esse, mas eles me perseguem, não há como fugir. Eu realmente precisava falar, ainda que em silêncio pois boas publicidades são o que realmente vale a pena. 

A seguir o texto completo da propaganda, e logo abaixo o comercial em vídeo:

"Se você está sofrendo por causa de um amor perdido, eu tenho más notícias: Não há nada que você possa fazer e não há ninguém que possa ajudá-lo. Na melhor das hipóteses você vai ter um amigo paciente pra levá-lo ao um bar e ouvir suas queixas  e eventualmente buscar você em um bar e levá-lo pra casa com segurança nos dias em que você se comportar feito um bobo. Na verdade, até existe alguém capaz de curar a sua dor, mas, esse alguém não costuma ter pressa. Ele se chama tempo. Portanto procure levantar sua cabeça e dar um passo adiante, por menor que seja, porque você ainda tem um longo caminho a percorrer dentro desse inferno. Ter pena de si mesmo não vai ajudar em nada e por mais que você não acredite, eu posso garantir que você sente algum prazer em cultivar esse sofrimento. Sim, estar triste é uma forma de exercer a paixão quando o alvo dessa paixão já se foi, você está usufruindo do seu direito de viver eternamente apaixonado. Isso é ótimo! Prova que você é um romântico. Mas, coisas ótimas não costumam ser baratas e você tem que pagar o seu preço. Em algum momento tudo isso vai passar, e nesse caso quando o furacão for embora ele não deixará destroços. Tudo estará em seu devido lugar, como se nada tivesse acontecido. Você vai recuperar suas noites de sono, vai se sentir revigorado, vai estar feliz consigo mesmo, vai levantar sua auto estima. Você vai estar pronto para entregar seu coração a outra pessoa mesmo correndo o risco de partí-lo em mil pedaços novamente, porque o amor sempre vale a pena."

  

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Tenho direito

Eles não se preocupam. Ninguém se preocupa. Você pode chegar sem um braço, ou vestida de palhaço e ainda sim ninguém vai te ver de verdade. Vivendo cada dia como se não estivesse nessa atmosfera. Eu não peço muito, apenas que me escute. Eu bem que queria mas, as paredes não têm ouvidos. Ninguém gosta de gente dramática ou de ouvir o choro alheio, mas é necessário. Todos temos problemas e por isso somos tão iguais. Percebi que posso cair, e ninguém vai me segurar. Revoltadamente triste, e realmente não sei porque. A muralha de ferro não é tão perfeita quanto eu pesava que fosse e tente a desmoronar, e pior que isso, na minha cabeça. Está tudo bagunçado, a casa, os trabalhos, o quarto... o coração e a mente. O frio é bem devastador desse lado da ponte. E a sensação de que nada me tira daqui. O vazio, vago, sem preenchimento. Eu bem que queria ser tão feliz, animada e querida quanto aparento. Se eu cair ninguém vai segurar, eu sei que não. E não venham me reclamar, eu grito porque tenho direito ao grito. Eu só quero ser como os outros, é tão difícil assim? Ter um motivo para sorrir e acordar todos os dias cantando.É realmente tão difícil assim ou eu que sou sinônimo de azar mesmo? Eu não peço nada além de ouvidos sinceros.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Aprendendo a voar

Nunca se quer imaginei que ficaria tão orgulhosa diante de um filme. Talvez seja por eu ser doente por animações, desenhos, ou talvez apenas pelo fato de ser o filme mais brasileiro que já vi. Rio é a tradução de todos os sotaques juntos batidos com açaí e temperados com dendê. Nunca fui tão nacionalista em respeito a minha terra natal, em geral era mais com minha terra sanguínea, la dulce españa, mas agora... Aí agora! Agora parece que nasci de novo, sinto-me como se acabássemos de ganhar a copa do mundo; Aquele sentimento que só vinha uma vez a cada quatro anos.
 Daqueles filminhos que todo mundo fica feliz no final, como crianças vidradas na tela torcendo pelas duas araras azuis em mais um caso de amor hollywoodiano. É o ápice do brasileirismo: o tráfico de animais, o carnaval, a natureza, a favela, as cores, música! É uma viagem cinematográfica. São coisas do gênero que me fazem feliz, sim! como uma ridícula menininha retardada mas, eu simplesmente amei! Eu simplesmente aprendi a voar com Blue. Não tem como descrever, apenas uma coisa a dizer: Quem não viu, veja, porque você não é um avestruz.

domingo, 15 de maio de 2011

Descompasso

Não me sinto bem e não sei explicar por quê. sozinha, sufocada, vazia. Dói, sem que eu possa saber de onde vem a dor. A solidão é um dos sentimentos mais frios que existem. Da janela vejo pessoas, todas juntas, e eu ainda aqui. Nada faz muito sentido agora. Eu só queria dormir, mas isso é outra coisa que também não sei fazer. Sim! Eu não sei dormir ou até saiba mas, o problema é saber se eu realmente quero. Querer não é muito meu forte, as vezes eu até quero as coisas, só preciso descobrir isso. Acho que meu problema é a certeza. Nunca sei de nada, nada mesmo, nem sobre mim mesma. Você sabe onde está e para onde têm que ir e ainda sim se sente perdida. Os caminhos não me passam confiança e eu sinto que tudo está cada vez mais distante. Tenho medo, mas também não sei do que. Talvez seja de tudo, ou talvez de nada. Eu nunca soube, e olha que faz um tempo que ele está por aqui. Eu já estive aqui e ainda ouço a voz que me diz pra voltar. Voltar não é muito o meu forte, tenho problemas em voltar. Problemas, todos os problemas. Se fosse possível juntar todos eles acho que não caberiam nesse mundo. E eu, como sempre, tenho uma grande parte deles. O ser humano dos mais sem sortes do mundo. Confusão. O problema é que sempre está muito perto da razão. Me perco no ilusório, não posso me segurar, tenho medo de cair. O universo me fascina mais ainda não consegui dar o primeiro passo. A escuridão me sufoca, abraça, me leva daqui. Não sei para onde vou, ou talvez saiba, ou talvez eu não queira saber mesmo. Querer, saber, ficar, mudar. Durmo mas sei que quando acordar tudo isso ainda vai estar aqui, e então meu plano de fuga fracassa outra vez. Tudo outra vez, não aguento essa repetição deprimente.
Gritar, eu tenho direito ao grito! Gritaria se pudesse. Poder eu posso, o problema é que ninguém ouve, ou quem houve está longe demais para perceber. Todo mundo olha, mas poucos veem. 


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Colhi centeio

 E colhi mesmo, muito centeio. Sabem quando você acha que tem tudo sob controle e vem algo do nada e muda tudo? Você se perde se vê sem chão e finalmente concluí que realmente não sabia de nada. Assim me vejo, após terminar a obra “O apanhador no campo de centeio” de Jerome David Salinger. Não sei descrever ao certo o que esse livro causou em minha vida mas sem dúvidas mudou, e muito. Holden Caulfield, não possui nenhum traço, estereótipo, ou qualquer coisa do gênero que um digno personagem principal deveria ter, o que não diminui nem de longe sua grandiosidade. Holden passa toda a obra se dando mal, e ainda por cima sozinho. Não possui absolutamente nada dos comuns salvadores detentores de toda a força da história. Além disso, possui características de qualquer adolescente: incertezas, revoltas e até o comportamento boêmio com apenas 16 anos. Salinger foi sem dúvida iluminado quando criou esse romance. Holden, o narrador observador, com características tão comuns se torna a cada página mais humano, e próximo do leitor. Passamos a presenciar os fatos e melhor ainda, com a mesma intensidade que deveriam ter na realidade. O carinho pela irmã, a dor da perca do irmão, o medo da decepção dos pais, a morte do colega de classe, o problema com os estudos, vícios... O apanhador no campo de centeio não deixa nada sobrando, cabe perfeitamente onde achar necessário coloca-lo. A linguagem é simples, e aumenta a cada linha, a sensação de proximidade com a obra, a ponto de sentirmos que Holden é um amigo de infância, e está contando tudo em um domingo ensolarado no barzinho da esquina. Sinceramente, ele é merecedor de todo o sucesso atribuído a ele antes mesmo de ser lançado. Até seu ponto final é perfeito, o livro todo parece até um projeto arquitetônico, sério mesmo. E eu continuarei aqui, no banco do parque, observando Phoebe no carrossel, até que pelo menos um de seus tantos contos sejam publicados e espero sinceramente que Holden ajude todos que precisarem a não cair no abismo, brincando no campo de centeio. 


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Politicamente correto

"Eu venho reparando numa espécie de fenômeno que tá acontecendo com as pessoas que é tipo o fenômeno do politicamente correto. As pessoas estão tão obcecadas por serem politicamente corretas que elas tão começando a ficar burras. Tipo, tudo bem você querer ser legal, você querer respeitar o direito das pessoas, mas parece que tá tendo algum tipo de paranoia assim por salvar o mundo e salvar a humanidade, que tudo é errado, tudo é mancada. Qualquer coisa que você disser, qualquer coisa que você pensar, você tá ferindo o direito do outro e não é bem assim. Tudo bem, as pessoas não devem ser racistas, as pessoas não devem ser homofóbicas, as pessoas não devem ser intolerantes, também não devem maltratar os animais e também não devem tomar manga com leite, mas eu também não sei se é falta de ter pelo o que lutar mais parece que tudo agora é uma espécie de luta social, uma luta pelo direito das pessoas ou luta pelo direito de tudo. Essa obsessão que as pessoas estão tendo por ser politicamente corretas tá deixando todo mundo meio idiota, meio burro. Eu tenho a impressão que se as coisas continuarem assim daqui algumas gerações as pessoas vão tá completamente acéfalas, quer dizer, elas já tão ficando mais vai ficar cada vez pior. Todo mundo tá preocupado com o mundo e com o futuro das coisas tomando uma atitude pró ativa a respeito disso, mas ninguém tá reparando quando passa dos limites. Sim, eu acho que tem limite pra você querer salvar o mundo e ser bom com as coisas porque às vezes você quer ser tão bom que estraga. Todo mundo tá querendo ser tão justo, tão defensor dos direitos de tudo que tá esquecendo de que as pessoas também têm direito de ter opiniões diferentes mas, eu não to dizendo que as pessoas só tem direito de ter opiniões diferentes, as pessoas têm direito de ter razão na opinião diferente que elas têm. Não é só porque é uma causa é nobre que a pessoa que defende esse tipo de causa virou uma espécie de santo ou uma pessoa desprovida de defeitos. Às vezes você pode ter uma intenção muito boa e uma causa muito boa pra defender, mas você não é uma pessoa muito boa pra defender essa causa, você acaba estragando tudo. E outra também: Eu não acho que as pessoas em conjunto têm a capacidade de serem tão boazinhas assim e tão corretas. No final das contas, a gente é animal tosco, pior que todos os outros animais que existem e não adianta querer ser mais bonzinhos que os outros. Então sei lá, as pessoas deviam tentar parar de compensar a maldade que elas têm tentando defender causas boas e melhorar como pessoas mesmo depois tentar resolver o problema do mundo porque como eu já disse: o problema do mundo são as pessoas e não as outras coisas. Não adianta você querer que as pessoas sejam melhores enquanto você não for uma pessoa melhor. É só um desabafo que eu tô fazendo mesmo porque eu sinceramente não quero viver sendo herói de ninguém e também não tenho tempo nem paciência pra isso. Então só pra finalizar: não quero ser bonzinho, não quero ser melhor do que os outros e também não quero fazer as pessoas melhores porque eu não tenho nem capacidade pra virar uma pessoa melhor, então é melhor eu perder meu tempo tentando reverter esse problema”

Paulo Cezar Siqueira 

FELIZ ANIVERSÁRIO, @pecesiqueira!


quarta-feira, 16 de março de 2011

Dia sortudo

Sei que quanto a pontualidade não estou muito por dentro mas que se dane, dia da mulher é todo dia, merecemos isso, sofremos muito por isso! Somos mães, filhas, empregadas, esposas, amantes, donas de casa, e ainda por cima profissionais. Temos tpm, menstruação, damos a luz, temos que nos depilar de quinze em quinze dias, e mesmo depois de um longo dia de trabalho ainda temos que estar sempre lindas e bem humoradas. Merecemos muito mais do que um dia, um mísero dia em meio tantos que vivemos e fazemos valer a pena. Tantos dias que temos que sair de uma reunião estressante e ainda buscar os pimpolhos no colégio com o maior sorriso de “mamãe ama vocês” ou entrar em um vestido lindo, subir num salto 15 e ir linda e absoluta para aquela festa mesmo estando totalmente inchada e sensível.

Somos mais do que um dia, somos mulheres, a força mais presente desde o principio. A geradora, luz e trevas, Deusas da beleza e do amor. Sofremos sim, mas somos privilegiarias pelo dom de dar a luz e isso ainda não é nem o começo  de tanto que temos e possuímos. Deusas da sedução, somos tudo que há de mais belo no mundo. Não há muito o que se falar quando se fala de tanta perfeição. Realço que me refiro as mulheres de verdade, aquelas que se matam para manter uma família unida e feliz com dignidade e não àquelas que dedicam seus dias a destruir lares alheios.

Mulheres homens, tão fortes e seguras como tal, afinal tpm não dura a vida toda. Já dizia minha eterna diva Clarice, “Gênero não me pega mais”. Somos muito mais fortes do que muitos machões por aí, trocamos pneus e lâmpadas de salto alto e sem quebrar a unha. Em muitos casos somos mães e pais e com muita classe ainda por cima. Sexo frágil é apenas um apelido carinhoso diante de tudo que somos capazes e fazemos.

Um feliz Mulher, dia oito de março, porque olha, você sim é um dia sortudo.



segunda-feira, 14 de março de 2011

Grito de uma telespectadora desesperada

Sinceramente não há como não sentir pena dos pobres mortais como eu, que não possuem tv por assinatura porque realmente, a cada dia está mais mortífero depender deste meio para se entreter.  Os programas não são mais programas, são apenas um monte de lixo televisivo. Clássicos da tv brasileira, de tanto tentar se reinventar se acabaram, cavam suas próprias sepulturas com as mãos.
Não sei se virou regra, ou se é moda mesmo mas porque os programas de entretenimento andam tão sensacionalistas e religiosos? Raul Gil para mim já é um programa gospel, ainda mais com a miniatura de pastora que ele arranjou. Mirella realmente é uma fofa mas por favor né? Ela mal sabe o que está fazendo, os pais dela só devem ter ensinado a ler a bíblia e nada mais, onde está o livre arbítrio agora? Eliana que estava escapando agora caiu na reta também. Programas religiosos são ótimos para quem gosta, o problema é a unificação. Moramos no brasil, país da diversidade não só na etnia mas também na cultura e religiões.
Agora não sei se era minha inocência aliada a minha pouca idade ou se o programa realmente era melhor mas hoje não consigo entender porque assistia Ratinho? Aquilo se tornou um circo televisionado, até quando respiram eles tentam nos fazer rir. Extremismo também cansa. Silvio Santos e A Praça é nossa estão cada dia mais baixos e fúteis. São poucos os temas que não estão relacionados com a sexualidade. Não sbt, sexo não é engraçado. E no jogo dos pontinhos? Acho que deveriam mudar o nome para jogo das briguinhas né? Só servem para fazer intrigas e para que os participantes ficarem se ofendendo.
 Zorra total e Casseta e Planeta não tem mais nada de engraçado e só os seus produtores não percebem isso. Ninguém deve ter ensinado a eles que tudo tem um fim e que devemos nos contentar com isso erguer a cabe e começar coisas novas. Refazer algo que não faz mais sucesso não tem sentido algum. Maísa então nem se fala, ela realmente é esperta e inteligente mas todos sabemos claramente que ela cresceu, deve ter quase oito anos ou até mais e ainda se veste como uma menina de quatro. Não faz o menor sentido! É bonitinho, todos concordamos com isso mas está na hora de seus figurinos evoluírem também.
A tv já está defasada, em total decadência com a tão potente internet, se as emissoras não abrirem os olhos logo para isso e se ajudarem, vão se afogar sem perceber e creio eu que não haverá outro fim se não a morte. Sorte dos que podem assisti-la de madrugada, esta sim ainda merece ser chamada de televisão. Seriados e filmes excelentes em todas as emissoras, competindo descentemente, com qualidade. Isso sim é o entretenimento que o brasil necessita. A população está cada vez mais decadente, com gostos cada vez piores, e sem a mínima noção de o que realmente é bom. Jovens e grandes massas ouvindo Luan Santana, Fiuk, Restart, e pior eles gostam. A tv precisa se reerguer, e levar consigo as novas gerações. Aonde iremos parar quando essas jovens que crescem apaixonadas por ex-bbbs e viciadas em obras literárias que não mereciam nem terem sido publicadas se tornarem professoras, médicas e policiais? O governo bem que podia se importar com isso de vez em quando também né? Distribuir um bom livro junto com a camisinha do carnaval ou incluir um bolsa cultura no pacote do bolsa família, isso sim seria um ótimo investimento.


domingo, 6 de março de 2011

Restos de carnaval

"Não, não deste último Carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao Carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.
 No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete.
Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.
 E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.
 Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para Carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça — eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável — e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.
 Mas houve um Carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com os quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.
 Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga — talvez atendendo a meu mudo apelo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel — resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele Carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.
 Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas — à idéia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha — mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quando ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola.
 Mas por que exatamente aquele Carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.
 Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge — minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa — mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil — fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.
 Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido, sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.
 Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns d0ze anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de oito anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa."


Clarice Lipector 
(in Felicidade Clandestina, 1971)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Loucuras necessárias

Existem algumas coisas na vida que não há possibilidade alguma de que você possa explicar, medir ou imaginar. Tudo o que você pensa sobre aquilo está no mínimo fora do real. Você não tem noção alguma até que aconteça. Estar na faculdade é uma delas.
Tudo o que se pensa e se imagina é completamente surreal perto da ação em si. É bem maior. Tão grande que nem que você quisesse não conseguiria imaginar a experiência em si. O primeiro, primeira é sempre um acontecimento único na vida seja ele qual for. O primeiro namorado, a primeira fez que andou de bicicleta, seu primeiro porre, primeiro beijo, primeira relação amorosa. Primeiro por si só já carrega no próprio nome um peso imensamente importante na vida.
Quando nos permitimos viver experiências como essas e ainda mais de maneira tão extrema como decidi viver, tudo que temos a relatar são as mais puras e importantes experiências da vida. Algo que realmente você irá contar para seus filhos, sobrinhos e netos. Cada segundo é algo marcante, acontecimentos dos quais você quer ligar e contar a todos. Desde pegar o ônibus, até a volta para casa.
Chegar ao ponto do ônibus e se dar conta que todos ali estão no mesmo barco que você e talvez até pior. Todos calouros sem o mínimo de ideia do que pode acontecer. As risadas resultantes das gafes cometidas é algo constante. Novatos tendem a fazer isso sempre.
Até gostaria de conseguir palavras para descrever a aula inaugural, mas pelo menos por enquanto não é possível fazê-la. Eu mesma ainda estou apreensiva, e tenho certeza que uma grande maioria também está. É muita coisa para se absorver, até mesmo para os que já se julgavam preparados. Segurei as lágrimas várias e várias vezes durante a tal da aula inaugural com o tema de motivação. Algumas das palavras ditas tocavam minha alma e a aparência de que estava tudo normal que eu havia criado para me proteger se abalava. Não me envergonho disto, sei o quanto tudo aquilo significa para mim.
Na saída uma suposta festa de boas vindas numa república deu a margem que os veteranos necessitavam para o tão temido trote. Até o motorista do ônibus participou da brincadeira mudando o trajeto e deixando todos em um ponto estratégico. Todos ali, sem entender e enfim surgem os primeiros potinhos de tinta. Muitos odiaram, e odeiam, mas para mim sinceramente, você não entra na universidade antes de levar um tão tradicional trote.
Da tinta fomos para os ovos, e logo depois farinha. Alguns tinham que parar os carros para conseguir dinheiro e eu acabei perdendo um pé do tênis. Sentamo-nos no meio da rua. Repetimos algumas frases, recebemos pó de café na cabeça, e mais brincadeiras.
Até achei que perderia a agenda que tinha acabado de receber na faculdade, mas o veterano me devolveu, depois que bebi a dose de pinga que ele tinha me dado. Devolveram os calçados. Uma plaquinha de papelão me “salvou” das brincadeiras mais pesadas que vieram a seguir. E finalmente dois veteranos caíram do céu e aconselhou a mim e a outras meninas que estavam perto deles a irem embora e logo que um deles nos explicou o caminho de volta, tratamos de ir. 
Tudo bem que algumas coisas saíram do planejado como alguns veteranos mesmo disseram. Tudo bem que alguns apelaram e apelaram bonito. Sinceramente, o óleo de cozinha que chegou depois me deixou meio apavorada. Mas não me arrependo. Faria tudo novamente se fosse preciso. Permitir-se viver pequenas grandes loucuras na vida é que a tornam tão especial. São essas pequenas loucuras que te salvam da monotonia, da depressão e do stress. São essas loucuras, sejam elas pequenas ou grandes que fazem a vida fazer tanto sentido. Eu resolvi me permitir, e fazer cada segundo dela valer a pena afinal, é para isso que nasci: para viver.