terça-feira, 11 de abril de 2017

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Hoje eu me vi, frente a frente para o abismo de eu mesma. Eu parei, e ouvi, no fundo do silêncio, o vento que passava por entre as quinas e tentava a todo custo formar uma melodia.
Hoje eu olhei, e me vi, sem que quisesse me enxergar eu acabei vendo. Não que essa miragem tivesse me satisfeito em qualquer das metáforas ecoantes nesta linha.
Nada me agradara, tal como não me agrada tem tempo.
E a vida tem disso ainda? Agrado?
Acho que não.
Pra mim é só vazio. Longe, sozinha.
As companhias já não se apoderam de seus significantes e os poucos que restam são realmente muito poucos. Todos que você pensara que estivessem lado a lado nunca estiveram ai, e hoje são apenas acúmulos de memórias e histórias que você insiste em conta pra si mesma que são boas.
Mais vazio do que um vácuo, presa fora da crosta terrestre, do outro lado dessa bolha chamada vida.
Nada faz sentido, talvez eu apenas pudesse conseguir apagar minhas redes sociais. Tirar de mim todas aquelas inúmeras páginas que não me servem para nada. Descarregar meu feed, descarregar de mim, me descarregar.
Eu queria me preencher com algo, ou em alguém, mas me informaram que essa parte geralmente só funciona com base em méritos e infelizmente isso é algo que eu nunca soube muito bem como lidar. As, poucas vezes que carreguei algum (mérito), sem sombra de dúvidas eu acabei quebrando-o antes que você pudesse conhecê-lo. Qualquer medalha ou troféu, qualquer sorriso ou memória de paz, todos estilhaçados em algum canto dessa casa enorme, e vazia.
Alguns labirintos são ocos, e você não precisa encontrar a solução.
Inspirando e respirando como a máquina perfeita que és, tão vazia e sozinha quanto qualquer outra.